Chamadas para os volumes 23, 24 e 25

2024-01-19

Dossiês aprovados para 2024:

 

Volume 23: Antigos marcadores sociais, novas abordagens políticas (gênero, sexualidade, raça, etnia e religião)

Submissões: até 15/03/24 (prorrogado até 14/06/24)

Publicação: 30/04/24 (prorrogado para 31/07/24)

Descrição

Gênero, sexualidade, raça, etnia e religião são temas clássicos das Ciências Sociais. Autores canônicos e fundadores do campo dissertaram sobre seus efeitos como organizadores da vida e definidores das hierarquias, de relações de poder e de dominação. 

Embora presentes no campo da teoria social, somente nas últimas décadas esses marcadores têm emergido como centrais para os debates (e embates) públicos e ações da política institucional.

Para o caso do Brasil, acredita-se que este novo cenário seja resultado de transformações sociopolíticas e, do mesmo modo, das novas formas de organização e fortalecimento do ativismo na busca por justiça social e ampliação de direitos, sobretudo a partir do período de redemocratização e da promulgação da Constituição de 1988.

Esses marcadores são evidenciados como potentes referências para a produção de assimetria e desigualdades, tanto pela produção acadêmica das ciências sociais, como pelos movimentos sociais organizados. Por essa razão, Estado e instituições políticas foram instados a reconhecer seus impactos, elaborar medidas de combate e implementar políticas. 

Deste modo, como resultado de um diálogo tenso produzido entre sociedade civil e Estado, a política institucional se deparou com a necessidade de discutir questões como a presença de mulheres e mulheres negras na política, racismo e intolerância religiosa, combate à homofobia e transfobia, direitos de povos originários, entre outros.

Este dossiê espera receber artigos do campo das Ciências Sociais, e das humanidades em geral, que apresentem análises sobre como os marcadores sociais de gênero, sexualidade, raça, etnia e religião vêm se apresentando como elementos fundamentais para os debates políticos institucionais travados no Brasil.

Serão especialmente bem-vindos trabalhos teóricos ou resultantes de pesquisa empírica que reflitam sobre a inter-relação entre esses marcadores assim como análises que observem a relação e diálogos travados entre setores do ativismo e da política institucional.

Organização: Andrea Lopes da Costa (UniRio) e Edlaine de Campos Gomes (UniRio)

 

Volume 24: Das formas de violência no Brasil contemporâneo

Submissões: até 15/05/24 (prorrogado até 15/07/24)

Publicação: 31/10/24

Descrição:

Passadas duas décadas de um novo século, é possível afirmar que os estudos sobre violências, controle social e punição no Brasil se consolidam como temática incontornável nas ciências humanas. Ao mesmo tempo é desafiador avançar na produção de pesquisas que integrem metodologias quantitativas e qualitativas capazes de demonstrar o funcionamento de dinâmicas sociais atravessadas por novos temas. Interessa particularmente o estudo das instituições policiais, do controle das armas de fogo, do sistema de justiça, das formas de acesso à proteção, da organização de facções e expansão das milícias, da permanência do racismo e de seu reconhecimento no cotidiano brasileiro, das formas de violência doméstica e feminicídio, dos crimes motivados por ódio, do aumento de ataques a escolas. 
Este dossiê tem como objetivo pensar essas violências após o avanço da extrema direita no Ocidente. Encarceramento, milícias, racismo, controle urbano, seletividade penal (em especial sobre a juventude) são alguns dos temas que abarcaremos no dossiê Das formas de violência no Brasil contemporâneo.

OrganizaçãoLuciane Silva (Uenf) e  Vera Telles (USP).

 

Volume 25: Mulheres e produção das ciências no Brasil: a contribuição da antropóloga Berta Gleizer Ribeiro (02/10/1924 - 17/11/1997)

Submissões: até 10/08/24

Publicação: 25/11/24

Descrição:

Por mais de 50 anos a antropóloga dedicou-se à pesquisa de campo sobre povos indígenas do Brasil. Produziu intensos, minuciosos e importantes estudos e pesquisas sobre a cultura material, identidade e resistência dos povos indígenas brasileiros. Da ciência à política, o arcabouço multidisciplinar do seu legado alcança novas abordagens metodológicas, etnomuseologia e abrange campos como filosofia política, história e teoria literária, com destaque para as coleções etnológicas. A relevância da contribuição da antropóloga no campo das Ciências Sociais, Econômicas e da Política se faz notar nos estudos da cultura material, com novos propósitos e métodos; na etnomuseologia: da coleção à exposição; na abordagem da função de veículo comunicador e pedagógico do museu; no papel da mulher nas sociedades indígenas; e, principalmente, no tema Amazônia Urgente: o descortinamento do paraíso perdido sob a ótica dos estudos antropológicos e etnológicos da cientista Berta Ribeiro. No âmbito da política empreendeu lutas indeléveis pelo parque indígena do Xingu, pela demarcação das terras indígenas e pela preservação da Amazônia. Indignada com as invasões às terras indígenas, deixou como legado aos estudiosos a pergunta: “Indígenas brasileiros: quem são e quantos são, que chances ainda têm de viver?”. 
Para o ano de 2024 algumas universidades (sediadas no Rio de Janeiro, em Brasília ou em São Paulo) e a Fundação Darcy Ribeiro estão organizando eventos para homenagear Berta Gleizer Ribeiro em seu centenário. O periódico Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política, do PPGSP/UENF e Fundação Darcy Ribeiro, associa-se às homenagens dedicando à sua obra o volume 25. Cientistas do Brasil e do exterior que conhecem e estudam sua obra ou temas atuais sobre a condiçâo de existência do índio brasileiro e a Amazônia estão convidados a participar, submetendo seus artigos.

Organização:  Haydée Ribeiro Coelho (UFMG) e Yolanda Lima Lôbo (aposentada da Uenf).