A Festa da Lagosta em São Fidélis / RJ
desenvolvimento sociocultural e impactos ambientais
DOI:
https://doi.org/10.59901/2358-6516/v28n1a4Palavras-chave:
Pesca artesanal , Patrimônio Cutural , Memória coletiva , Macrobrachium carcinus, Festa da LagostaResumo
Este artigo propõe uma análise crítica da tradicional Festa da Lagosta, realizada no município de São Fidélis, no estado do Rio de Janeiro, abordando-a como expressão de pertencimento e construção identitária da comunidade local. A investigação baseia-se na noção de memória e no resguardo afetivo das atuais gerações, conforme os apontamentos de Nora (1993). A pesquisa examina o papel da festividade no desenvolvimento socioeconômico da região, ao mesmo tempo em que problematiza a exploração da lagosta de água doce (Macrobrachium carcinus). Com base em uma abordagem qualitativa, conforme delineado por Marconi e Lakatos (2011), o estudo utiliza como fontes: periódicos científicos, reportagens de jornais da época, legislações ambientais e culturais, além de entrevistas com participantes e colaboradores do evento. Os resultados revelam que a Festa da Lagosta constitui um importante símbolo da identidade cultural e da memória coletiva fidelense, mas também está inserida em um contexto de exploração intensiva, que resultou em impactos socioambientais relevantes, como a redução das populações naturais da espécie. Diante desse cenário, ainda que a festividade não ocorra mais, o estudo reitera a urgência de implementação de estratégias sustentáveis que considerem tanto a valorização do patrimônio cultural e das práticas tradicionais quanto à preservação dos recursos naturais utilizados. Cabe ressaltar que este artigo é resultado de pesquisa financiada pelo Projeto de Educação Ambiental (PEA) Pescarte que é uma medida de mitigação exigida pelo Licenciamento Ambiental Federal, conduzido pelo Ibama.
Referências
BISOL, Claudia Alquati. (2012). Estratégias de pesquisa em contextos de diversidade cultural: entrevistas de listagem livre, entrevistas com informantes-chave e grupos focais. Estudos de Psicologia, v. 29, supl., p. 719s-726s, out./dez. Disponível em: https://www.scielo.br/j/estpsi/a/YVK8vN6zrs86PSDHpzyvnnh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 03 out. 2021.
BRASIL. (1937). Decreto-Lei n.º 25, de 30 de novembro de 1937. Organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1937. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm. Acesso em: 17 maio 2025.
BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 16 jun. 2025.
BRASIL. (1988b). Lei n. 7.679, de 23 de novembro de 1988. Dispõe sobre a proibição da pesca de espécies em períodos de reprodução e dá outras providências. Brasília: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7679.htm. Acesso em: 16 jun. 2025.
DIEGUES, Antonio Carlos. (2000) Etnoconservação: novos rumos para a conservação da natureza. São Paulo: HUTEC; NUPAUB/USP.
ESTADO DO RIO DE JANEIRO. (1977). Prefeitura contra a vontade de Aloísio Perlingeiro de Abreu. Rio de Janeiro, 2 set. 1977.
GOMES JÚNIOR, Rivaldo Siqueira. (2014). Toxicidade aguda da amônia e nitrito em larvas de pitu Macrobrachium carcinus (Linnaeus, 1758). 2014. 61 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife. Disponível em: https://ww2.pgpa.ufrpe.br/sites/default/files/testes-dissertacoes/rsiqueira_2014.pdf. Acesso em: 08 maio 2025.
HOLANDA, Welliana Silva Sampaio de. (2007). Acompanhamento da lavircultura do camarão pitu, Macrobrachium carcinus, no Centro de Pesquisas em Carcinicultura do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências Agrárias, Curso de Engenharia de Pesca. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/39389. Acesso em: 18 maio 2025.
IBAMA. (2018). Relatório de atividades de monitoramento da pesca artesanal. Brasília: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
IBGE. (2022). Censo Demográfico 2022: resultados preliminares – São Fidélis (RJ). Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/. Acesso em: 18 maio 2025.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. (2011). Fundamentos da metodologia científica. São Paulo: Atlas.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. (2012). Trabalho de campo: contexto de observação, interação e descoberta. In: LESLANDES, Suely Ferreira; GOMES, Romeu; MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 31. ed. Petrópolis: Vozes, p. 61-78.
NORA, Pierre. (1993). Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7-28.
O FLUMINENSE. (1973). Luta política de famílias da cidade. Niterói: jornal O Fluminennse.
O GLOBO. (1972a). São Fidélis serve lagosta doce a 10 mil convidados. Rio de Janeiro: O Globo, 15 julho 1972, p.2.
O GLOBO. (1972b). Festa da Lagosta em São Fidélis: beleza e fartura. Rio de Janeiro: O Globo, 4 maio 1972.
OSBPS. (2021). Relatório anual de atividades. Observatório Socioambiental da Bacia do Paraíba do Sul. (2021). Relatório anual de atividades. Resende: Universidade Federal Fluminense.
PINHEIRO, Marcelo; BOOS, Harry. (2016). Livro vermelho dos crustáceos do Brasil: avaliação 2010-2014. Porto Alegre, RS: Sociedade Brasileira de Carcinologia. Disponível em: https://www.crusta.com.br/biblio/03.e-books/02-Livro-Vermelho-dos- Crustaceos-do-Brasil-Avaliacao-2010-2014.pdf. Acesso em: 30 abr. 2025.
RIOS, B.; BATISTA, P. F. da S.; CRYSTELLO, D. C. B. (2024). Impactos da poluição e alteração de habitat em ecossistemas de água doce: uma revisão bibliográfica. Caderno Pedagógico, v. 21, n. 8, e6568. Disponível em: https://doi.org/10.54033/cadpedv21n8-086. Acesso em: 8 de abril de 2025.
SANTANA, Mariely Cabral de.(2009). Alma e festa de uma cidade: devoção e construção da Colina do Bonfim. Salvador: ADUFBA.
SÃO FIDÉLIS. (2005). Lei n.º 1.067, de 27 de julho de 2005. Dispõe sobre a desafetação e doação de área. São Fidélis, RJ: Prefeitura Municipal. Disponível em: https://www.saofidelis.rj.leg.br/leis/legislacao-municipal/legislacao-2005/lei-no-1067-2005-2013-desafetacao-e-doacao-de-area-2013-min-publico.pdf. Acesso em: 16 jun. 2025.
SOARES, Léo de Oliveira. (1956). Observações ecológicas e aquariotécnicas de Macrobrachium carcinus (L.), pitú da família Palaemonidae (Crustacea). Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, v. 54, n. 3, dez. 1956. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0074-02761956000300005. Acesso em: 17 maio 2025.
SOUZA, M. C. et al. Avaliação populacional de crustáceos decápodes na Bacia do Paraíba do Sul. (2015). Revista Brasileira de Recursos Hídricos, v. 20, n. 1, p. 113-125.
VALENTI, Wagner Cotroni. (1996). Carcinicultura de água doce: tecnologia para produção de camarões. Jaboticabal: FUNEP.
ZANLORENZI, Claudia Maria Petchak. (2010). História da educação, fontes e a imprensa. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. 40, p. 60-71, dez. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639806/7369. Acesso em: 10 jun. 2025.